Como funciona a detecção de tom e por que às vezes ela erra

Um detector de tom não escuta a música; ele conta frequências. Por isso acerta a maioria das faixas, mas erra de forma previsível em alguns gêneros e algumas faixas. Saber quando desconfiar diz o quanto você pode confiar nas suas tags.

Atualizado: outubro de 2026

01Passo a passo: do som ao tom

  1. Espectro: o áudio é dividido em trechos curtos e, em cada um, mede-se a força de cada frequência.
  2. Croma (perfil de classes de altura): as frequências são agrupadas nas 12 notas, independentemente da oitava. O resultado é uma impressão digital de 12 números que mostra quanto cada nota soa ao longo da faixa.
  3. Comparação de perfis: essa impressão digital é comparada com perfis de referência de cada um dos 24 tons. O mais parecido vence.

O CrateKeys roda no seu navegador uma variante publicada desse método, com código próprio; o arquivo nunca vai para um servidor.

02O erro mais comum: o tom vizinho

8A e 9A compartilham seis das sete notas. Se uma faixa quase não usa a nota diferente, as duas impressões digitais ficam quase iguais e o software pode escolher o vizinho. A boa notícia: o tom vizinho é compatível de qualquer jeito. O erro não estraga o set; só engana sobre a direção da energia.

03Menor ou maior? (8A ↔ 8B)

Lá menor e Dó maior usam as mesmas sete notas. A diferença é qual nota soa como "casa". Se a linha de baixo é vaga ou a faixa alterna entre dois acordes, o software pode dar a outra letra do mesmo número. Harmonicamente isso não faz mal, mas engana sobre o caráter da faixa (escura ou clara).

04Por que o software erra totalmente?

  • Faixas sem tom claro: faixas feitas de bateria e efeitos, sem melodia, têm poucas notas para contar.
  • Modulação: músicas pop que sobem o tom no último refrão ou gravações em duas partes não cabem num tom só; o software escolhe o dominante.
  • Gravações desafinadas: rips de vinis antigos ou edits com pitch alterado podem cair entre dois tons.
  • Escalas modais e não ocidentais: música dórica, frígia ou baseada em maqam não se encaixa exatamente nos perfis padrão de maior e menor.

05Conferir o resultado de ouvido

Enquanto a faixa duvidosa toca, abra a página do tom e aperte Tocar acorde. Se o acorde da tônica encaixa com a faixa, o tom está certo. Se raspa, teste o vizinho e o relativo; a resposta certa costuma estar a um passo.

Um segundo método é prestar atenção na nota do baixo: a nota de baixo que mais se repete costuma ser a tônica. As frequências de grave nas nossas páginas de tom ajudam a achá-la num analisador de espectro.

06Quanto confiar nas tags?

Nenhum software acerta todas as faixas, então ensaie de ouvido um set montado por tom. Um jeito prático: analise a biblioteca em lote e, antes de tocar, confira de ouvido só as faixas suspeitas (sem tom claro, com modulação ou muito antigas). É bem mais rápido do que ouvir tudo e o resultado é quase o mesmo.

Perguntas frequentes

Por que programas diferentes dão tons diferentes?

Cada programa usa perfis e pré-processamentos diferentes. Os resultados costumam bater; quando não batem, geralmente diferem por um tom vizinho ou relativo.

A detecção de BPM erra do mesmo jeito?

O erro mais comum de BPM é metade ou dobro do andamento (ex.: 70 em vez de 140). Como o ritmo é regular, ela costuma ser mais confiável que a detecção de tom. Para conferir na mão, use o tap tempo da página de BPM.

Preciso enviar meu arquivo para a análise?

Não. O CrateKeys analisa no seu navegador, no seu próprio computador; nenhum arquivo é enviado.

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